terça-feira, julho 3

O Impacto de Rudy no GOP


Diz o André Azevedo Alves a propósito deste texto que recomendo:

"Mas também porque é discutível que Giuliani consiga mobilizar o eleitorado socialmente conservador, uma parcela que não era essencial há 30 anos mas que hoje (felizmente) é provavelmente imprescindível para qualquer vitória republicana."

Discordo. Embora as suas posições em temas sensíveis, como é o caso do aborto, tenham ainda um peso considerável em certas alas do eleitorado do GOP, acho um erro assumir que apenas por causa de dois temas ele não será capaz de mobilizar a ala mais conservadora.

Primeiro, porque nos restantes temas as suas credenciais conservadoras são muito fortes em relação às dos outros candidatos. Em segundo, porque esta eleição vai ser claramente atípica no GOP. Não tarda nada, Thompson será escrutinado por todas as suas posições, e a sua popularidade nas sondagens não permanecerá assim por muito tempo. Podemos até fazer uma analogia com o Giuliani. O efeito Rudy inicialmente catapultou-o nas sondagens, até que o seu pensamento foi verdadeiramente exposto. Neste momento, ele estabilizou, à volta do “seu” eleitorado. Thompson ainda possui o efeito da chegada à corrida, mas dado que em breve assume oficialmente o seu rumo, não creio que ele se mantenha a subir tão confortavelmente nas sondagens.

“Apesar das suas posições anti-conservadoras em vários domínios, tenho sérias dúvidas que Giuliani consiga conquistar votos de esquerda a Hillary.”

Nesta eleição não estão em causa os votos de esquerda de Hillary, nunca estiveram. Os independentes são a chave para a próxima eleição, e é uma realidade que neste momento as sondagens indicam que estão muito mais inclinados para Mrs. Clinton. O que é paradoxal, é preciso dizer, pois os independentes têm uma posição geralmente muito forte em temas de segurança nacional. Mas não me surpreendia que Bush e o Iraque, estejam a contribuir para tal. Desta forma, era necessário começar a incidir mais num distanciamento da actual política da Administração Bush para o Iraque, o que muitos candidatos já têm feito, mas numa escala fora do GOP.

6 comentários:

Ricardo disse...

Bruno,

Como sabes interessa-me muito pouco as primárias nos EUA - por diversas razões e principalmente porque esta exposição temporal exagerada parece-me claramente descabida. Mas sobre o(s) teu(s) texto(s) cabe-me dizer:

i) Parabéns pela cobertura que tens feito do GOP, parcial mas interessante;

ii) Para também ter oportunidade de ser parcial queria agradecer-te por me relembrares diariamente porque nunca vou apoiar um dos candidatos do GOP, lol;

iii) Há, porém, um ponto que queria deixar clara a minha opinião. A política implica o domínio de diversas tácticas junto ao eleitorado mas faz-se essencialmente de ideias. Posto isto não percebo porque é que candidato x ou y, por questões meramente tácticas, deva distanciar-se ou aproximar-se mais de determinada política porque o eleitorado tem, neste momento, determinada posição. É muito mais útil expor os seus pontos de vista de forma cada vez mais clara e precisa do que andar a navegar pela percepção da popularidade da política do Bush a cada momento.

Abraço,

HO disse...

"Posto isto não percebo porque é que candidato x ou y, por questões meramente tácticas, deva distanciar-se ou aproximar-se mais de determinada política porque o eleitorado tem, neste momento, determinada posição. É muito mais útil expor os seus pontos de vista de forma cada vez mais clara e precisa do que andar a navegar pela percepção da popularidade da política do Bush a cada momento."

Bem, mas se o Bruno partilhasse desse entendimento, teria de apoiar McCain. ;)

Acabei de ler e comentar o post n'o Insurgente. Mas fiquei curioso com isto:
"Primeiro, porque nos restantes temas as suas credenciais conservadoras são muito fortes em relação às dos outros candidatos"
Humm?

Bruno Gonçalves disse...

Ricardo,

Primeiro de tudo, fico grato pela tua avaliação quanto à minha cobertura das presidenciais. Porém, tenho que dizer, que não é o segundo ponto que tenho em mente, quando escrevo sobre o assunto, mas enfim, não podemos ter tudo. ;)

"não percebo porque é que candidato x ou y, por questões meramente tácticas, deva distanciar-se ou aproximar-se mais de determinada política porque o eleitorado tem, neste momento, determinada posição."

Uma campanha política, nomeadamente a que ocorre nas primárias, envolve muitas variáveis, das quais posso destacar dois: a distância até à eleição e o problema republicano causado por Bush. Neste campo, as ideias serão sempre transversais, tudo depende de como estas são transmitidas. Era nesse aspecto que estava a referir-me. Até por uma questão de coerência, pois parece ser da praxe, não vilependiar o presidente GOP em exercício...

Bruno Gonçalves disse...

HO,

"Bem, mas se o Bruno partilhasse desse entendimento, teria de apoiar McCain. ;)"

Tenho que confessar que seria mais coerente apoiar o McCain e o seu "Straight Talk". ;)

Quanto às credenciais, não vejo o espanto... Então não te recordas da já célebre frase do George Will? hehe

O Rudy voltou a citá-la há dias, não sei se viste... ;)

HO disse...

"Quanto às credenciais, não vejo o espanto... Então não te recordas da já célebre frase do George Will? hehe"

Pronto, pronto, distraí-me... ;)

HO disse...

"Até por uma questão de coerência, pois parece ser da praxe, não vilependiar o presidente GOP em exercício..."

Presidente ou roupeiro. O 11º mandamento de Reagan.